Temakin Pedra Branca: “desculpa qualquer coisa”

Temakin 08Não gosto de falar mal de um local. O blog não se presta a isso. O intuito é mostrar restaurantes que realmente valem a pena a visita. Infelizmente há aqueles que se esforçam tanto que praticamente pedem por um post negativo. No caso, o Daniel colocou uma regra ao local pouco antes de lá sairmos: se cobrarem pelas sobras, faço um post falando mal. Aderi à ideia. E nem precisou muito esforço.

Temakin 10O Temakin é um daqueles lugares que tem tudo para dar certo, mas por razões que nem sempre são fáceis de entender, não consegue. Fui empolgada conhecê-lo, pois, além de recomendado pelos Chefs Vitor Gomes e Alysson Müller,  no programa Em Busca do Sabor, é construido parcialmente com container, o que permitiria um post para o Minha Casa Container também. O local é uma graça, com deck de madeira, decoração simples e agradável, aconchegante, atendimento atencioso e apresentação dos pratos até bem atrativa. O problema está mesmo na qualidade dos produtos.

Temakin 09Muito embora o forte da casa seja o sistema a la carte, recentemente implantou o rodízio, incluindo todo o cardápio nele. Como o intuito era provar o máximo de opções possíveis, até para poder melhor avaliar os itens oferecidos, todos foram nessa opção – 45 dilmas mulher e 55 dilmas homem. Começamos pelo yakisoba na chapa (há opção frita e cozida também), que no geral estava saboroso, mas com excesso de missô, deixando o prato ácido demais para o meu paladar.

Temakin 11Em seguida chegou o shitaki mushi no alumínio, que tem arroz como acompanhamento. Igualmente saboroso, mas excessivamente salgado, a ponto de precisarmos comer muito gengibre para limpar o paladar para os sushis. Mais tardes concluímos que, apesar dos problemas, devíamos ter permanecido nos pratos quentes, até porque o segundo yakisoba pedido, no final da noite, não apresentada o mesmo problema.

Temakin 07Quando os sashimis chegaram foi que percebemos que a coisa toda iria desandar, principalmente porque já havíamos pedidos inúmeros sushis e, se os sashimis estavam passados, por certo todo o resto viria da mesma forma. Tanto o atum quanto o salmão estavam com gosto de peixaria. Talvez pareça estranha essa minha afirmação, mas peixe tem que ter gosto de mar e não de peixaria, como se tivesse permanecido mais tempo do que o recomendado na geladeira ou exposto. O polvo meio cítrico, como se colocado limão para disfarçar o sabor. O peixe branco era o único bom, provavelmente porque o único fresco.

Temakin 04Temakin 01Não estando bom o sashimi de salmão, por certo que o filadélfia e o dyo também não estariam. A apresentação estava boa, mas o sabor do peixe passado complicou todo o conjunto.

Temakin 02Mas foi quando chegou o uramaki boston (camarão picado, maionese e cebolinha) que tudo desandou de vez. Muito embora não previsto no cardápio, o camarão veio cru – e nem vou apontar aqui o risco do nosso camarão ser usado dessa forma. Sim, cru. Posso até acreditar que tenha sido escaldado – muito rapidamente, se assim o foi -, mas jamais cozido. Chamei o garçom e questionei tal fato, o qual me disse que era assim mesmo. Veio então a que acredito ser a gerente (estava no caixa) e garantiu que o camarão era cozido, já que a vigilância sanitária não permite servi-lo de outra forma. Contudo, quando foi falar com a cozinha, percebi que alguns dos cozinheiros ficaram em dúvida se haviam ou não cozido o camarão.

Temakin 05Faço questão de mostrar o uramaki de perto, para perceberem que não estou inventando: este camarão estava cru e os funcionários, quando viram o erro, negaram, dando a entender que eu que não sabia diferenciar as coisas. Ao perceber essa situação, tratei de cancelar o pedido de dyo com camarão, pois se os uramakis já estavam intragáveis, a mistura com salmão passado seria ainda pior.

Temakin 06Nem o uramaki skin salvou a noite, pois com muito vinagre no arroz.

Na hora de pagar a conta, muito embora tivéssemos sido avisados logo que chegamos que o excesso seria cobrado (3 dilmas por peça), acreditamos que as inúmeras falhas da noite fariam com que relevassem as 9 peças que ninguém conseguiu comer. A primeira coisa dita pela pessoa que estava no caixa (provavelmente gerente), no entanto, foi justamente apontar o desperdício que seria cobrado. Paguei. E paguei sem reclamar, pois preferia isso a ter que comer mais um grão daquele arroz ou daqueles frutos do mar. Nem levantei o argumento da ilegalidade desse tipo de cobrança, pois só queria sair de lá logo.

Teve a funcionária, ao menos, a delicadeza de perguntar como estava a comida, ao que respondemos estar ruim – incrivelmente parece não ter percebido nossa insatisfação desde o princípio. Demonstrou, ainda, imensa surpresa, ressaltando que era a primeira vez que ouvia isso, que todos sempre elogiam todos os pratos, dando a entender que nós é que não conhecíamos de sushi. Nem quis rebater com a lista de lugares sensacionais que já visitei, pois a vergonha alheia completou-se com o desculpa qualquer coisa ouvido.

Sinto muito, mas não posso desculpar qualquer coisa. Tivessem sido sinceros quanto ao camarão, tivessem consertado o prato quanto reclamei, tivessem não cobrado pelas peças deixadas por conta da completa impossibilidade de se comer algo preparado dessa forma, eu desculparia sem rodeios. Mas qualquer coisa, como a tia que se refere à casa impecável quando chega a visita, esperando aquele elogio maroto de volta, não consigo.

Talvez o dia tenha sido de erros da casa, como já destaquei em alguns outros posts, merecendo os locais uma nova visita para tirar a má impressão, até porque todos estão sujeitos a isso. Nesse caso, contudo, nego-me a lá voltar. Mas, como sempre digo, vão tirar suas próprias conclusões, até porque gostos são muito distintos. 

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Temakin Pedra Branca

Unisul Pedra Branca – Rua Cizanto, 1 – Palhoça/SC.
Telefone: (48) 9147-4996
Aberto todos os dias, das 12h às 14h e das 17h às 23h.
Aceita cartões e possui estacionamento.
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5 thoughts on “Temakin Pedra Branca: “desculpa qualquer coisa”

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    • Que bom que suas experiências foram boa a, Karina. Infelizmente não posso dizer o mesmo da minha e as fotos não me deixam mentir, além das 3 outras pessoas que me acompanharam no dia e outras tantas que vieram me contar, depois, suas más experiências.
      Mas restaurantes têm seus dias ruins e espero que as falhas já tenham sido consertadas, a começar pela ilegal cobrança do excesso.

  3. Fui neste sábado ao container por indicação de um casal de amigos, e mesmo não sendo profundo conhecedor da comida japonesa, mas frequentador das melhores casas de Florianópolis, fiquei decepcionado, pois não me nego a pagar bem por um atendimento Bom. .. mas infelizmente não foi o caso. . . O salmão e o polvo horríveis(passados) entre outras… deixei claro que não iria pagar os 10% … não recomendo mesmo.

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