Le Bon Vivant Bistrot: quando o preço é a maior lembrança

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Pensei muito antes de fazer este post. A idéia do blog surgiu após uma viagem fantástica para Minas Gerais e pretendia compartilhar as experiências lá vividas. Por isso, desde o início falei de temas e locais que me agradassem, deixando os desagradáveis apenas no ostracismo. Porém, ultimamente conheci lugares tão especiais e cuja imagem sempre foram de caros, que quando me deparei com um que realmente considerei ser digno desse adjetivo conclui que era preciso falar dele aqui. Mês passado o jornalista Zeca Carmargo foi alvo de aplausos e vaias por seu texto para a Folha de São Paulo sobre o preço dos restaurantes, concluindo que a culpa é, principalmente, dos que pagam. Acrescento: a culpa é dos que pagam caram para comer mal. Porque preço não é sinônimo de valor e já paguei cerca de 200 dilmas por um jantar que valeu cada centavo, sem remorso no bolso. Em contrapartida, outro dia uma simples conta de 18 dilmas se mostrou o maior dos roubos. No caso do Le Bon Vivant, ainda que vocês possam considerar que o preço não foi tão caro assim, com certeza o jantar não valia o que foi pago.

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A idéia de um bistrô intimista, com capacidade reduzida de pessoas – apenas 4 (quatro) mesas -, pareceu ótima na teoria, mas bastante decepcionante na prática. Muito embora o ambiente seja rico em detalhes, pode-se dizer que pecou pelo excesso, fazendo com que o ambiente pareça ainda menor do que é. Além disso, a iluminação super reduzida, a ponto de uma míope como eu ser obrigada a aproximar-se do prato para definir a cor dos alimentos, tornou o jantar bastante cansativo e, no meu caso, levemente claustrofóbico. Reconheço que, se a comida servida correspondesse à expectativa, provavelmente essas questões seriam ignoradas ou diminuídas suas relevâncias. No dia, contudo, foi mais uma razão para desqualificar o local.

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A quantidade de comida servida foi o primeiro fator a ser alvo de críticas. Sei que sou um buchinho furado e o serviço à francesa costuma ser de pequenas porções. Mas, geralmente, estamos falando de diversos serviços, sendo necessária uma porção reduzida para que suportemos a quantidade de pratos. A entrada – no caso para quatro pessoas (34 dilmas) -, exigiu que pedíssemos mais pão, o que, reconheço, foi prontamente viabilizado e sem custo adicional. Mas apesar dos nomes chiques de alguns itens – coq au vin, sopa de pato, legumes ao molho thai, geléia de abacaci com pimenta e geléia de amora -, nada de extraordinário. Bom, sim. Mas apenas isso. Além disso, o pão, que poderia ter sido feito na casa e ganho pontos por isso, não parecia muito fresco. Cumpre destacar que o couvert simplesmente foi trazido à mesa, sem que tivéssemos solicitado, razão por que acreditamos que não seria cobrado. A inclusão na conta é que nos trouxe a informação do valor.

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As bebidas pedidas, tanto a água (3,5 dilmas) como o vinho (cerca de 80 dilmas), chegaram abertas na mesa. Não estou dizendo que, com isso, pretendiam nos ludibriar ou coisa que o valha. Mas nem no boteco ali da esquina a água mineral é aberta longe dos olhos do cliente. E o vinho, por mais que se fizesse necessário o uso do decanter, deveria ter sido mostrado aos clientes. Sequer a garrafa cheguei a ver e, por ser completa ignorante no assunto, só posso dizer que tomei um tinto, que me disse o Chef ser português.

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O prato principal ainda estava por vir, então a esperança ainda se fazia presente. Veio coberto por um cloche e talvez por isso a decepção tenha sido ainda maior. Pelo preço de 60 dilmas cada prato, a porção com certeza não valia o preço pago, até porque apenas boa. Nada mais. Poderia eu aqui fazer uma brincadeira com o aumento recente do preço do tomate e imputar ao pobre coitado a culpa pelo custo elevado. Mas os preços dos itens anteriores não me deixam enganá-los. O prato, bacalhau nunca chega, é preparado com bacalhau em lascas, presunto cru, azeitona, salsinha, coentro, cebola caramelizada, batata palha e ovo, tudo regado com azeite de oliva e servido com tomates frescos (duas fatias cortadas ao meio). Mesmo gostando de presunto cru, não entendi muito sua colocação ali, até porque consistia apenas naquele pedaço no canto esquerdo da foto acima.

Já comi bacalhau em outros lugares, com ingredientes de custo tão elevado quanto os utilizados neste prato, mas com porções muito mais generosas e sabores que me convenceram a voltar ao restaurante. Infelizmente não cheguei nem perto disso na visita ao Le Bon Vivant Bistrot, concluindo que a noite foi cara demais para o oferecido, sendo essa a impressão que mais marcou a noite.

Ressalto, por fim, que essa foi minha experiência e possivelmente não seja compartilhada por outras pessoas, cabendo a cada um visitar o local e tirar suas próprias conclusões. De qualquer modo, não recomendo. Como o valor foi o ponto principal da crítica, não será o caso de retornar para dar uma segunda chance à casa.

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Le Bon Vivant Bistrot

Avenida Luiz Boiteux Piazza, 2.973, Cachoeira do Bom Jesus, Florianópolis

Telefones: (48) 8835-0155  e 9910-8959

Aberto de terça à sábado, a partir das 20h.

Não aceita cartões.

Possui estacionamento.

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15 thoughts on “Le Bon Vivant Bistrot: quando o preço é a maior lembrança

  1. Michele…

    Este bistrô vira e mexe está em sites de promoção. Sempre que tem algum restaurante interessante, vou ao google, ou nos blogs de gastronomia e vejo o que falaram sobre o local.

    Com relação a este bistrô, depois de ler tantas críticas negativas, antes mesmo de ler o seu, fiquei completamente sem vontade de conhecê-lo.

    A sua opinião não é isolada. Dá uma pesquisada que verás o quanto decepcionado saem os clientes dessa casa.

    Uma pena…

  2. Chegaram em casa e prepararam um miojão? Eu morreria de fome.
    Passo em frente a esse “bistrô” todo final de semana. Nunca fiquei com vontade de entrar: primeiro pela sua localização (“dentro” de um hotel) e depois por resenhas como esta. Que bom que não recuaste. Más impressões acabam por vezes sendo até mais gratificantes que boas recomendações.

  3. Perfeita a crítica.
    E vale lembrar que tem uma pratica muito comuns entre os restaurantes que servem mal e cobram caro: não costumam aceitar cartão.
    Eu, nas minhas andanças gastronômicas pela ilha, já decidi: não coloco mais o pé nesse tipo de local.

  4. Pingback: #gastromalucos Ponto G: êxtase também na gastronomia | Não vá se perder por aí

  5. Michele. Estive por lá hoje. Como eu havia comprado uma promoção pelo Groupon tinha que estar lá. (me atenderam de primeira para agendar) Acredite, o prato estava bem servido,
    lombo de bacalhau que era o “ator principal” apareceu,as bebidas foram abertas na nossa frente, como não bebo vinho não posso te falar dos preços. As entradas não foram servidas. Por $50,00 do groupon valeu muito a pena o prato

    abs

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