Ei, @GrouponFloripa: devolva meu dinheiro

Quem aqui nunca comprou uma compra coletiva? Umazinha só. Um restaurante mais caro que você queria conhecer e agora surgiu a oportunidade; umas ampliações de fotos, para finalmente colocar naqueles porta-retratos que estão vazios há tempos; uma lavação no carro que nem lembra mais qual sua cor de fábrica. Sim, as compras coletivas viraram uma febre nacional e muitos, desde o início, já alertaram para a roubada que isso se tornaria (ou já era desde sua invenção).

Em Florianópolis, por exemplo, mais de um local faliu – sim, fechou as portas, deixando ou não os consumidores na mão – por conta de escolhas ruins com compras coletivas. O exemplo mais recente é o do Sushi Moon, na Lagoa da Conceição, e você pode ver o desenrolar dessa história nos comentários de um post do Comideria e no grupo formado no facebook pelos lesados.

Apesar dos pesares, eu tive algumas boas experiências com compras coletivas. O Meat Shop, por exemplo, foi uma compra que deu muito certo, assim como a Pizzaria Vinil. Mas isso depois de diversas experiências péssimas – que se aqui listadas irão tomar o post inteiro – e um difícil, mas precioso, aprendizado: você precisa comprar apenas compras coletivas de locais que você já conhece e tem certeza de que será bem atendido.

Claro que beira o absurdo essa minha afirmação. Afinal, o intuito da compra coletiva, ao menos deveria ser, é permitir que as pessoas conheçam novos lugares. Por isso o valor mais baixo, atraindo novos clientes que, da próxima vez, não precisarão de nenhum desconto para voltar. Mas essa inversão total de conceitos tornou esse um negócio lucrativo apenas aos sites de compras coletivas, pois ficam, em média, com 50% (cinquenta por cento) do valor pago pelos consumidores sem que, para tanto, precisem de maiores esforços. Enquanto isso, os fornecedores amargam prejuízos, sendo necessário, no mais das vezes, pagar para ter aqueles clientes, e os consumidores ficam com péssimo atendimento e qualidade reduzida dos produtos.

A situação chegou a tal ponto que já se prevê a criação de uma legislação específica para regular o tema – muito embora o CDC seja perfeitamente aplicável e capaz de solucionar os problemas surgidos – e a máxima que eu adotava para eleger uma compra coletiva acabou se mostrando mais uma furada.

Há poucos dias, avisada por uma amiga que a Pizzaria Vinil estava, mais uma vez, com promoção no Groupon, acreditei que poderia degustar um produto que muito me agrada, mesmo estando numa fase do mês em que o vermelho predomina na conta-corrente.

Adquirido o groupon e expedido o voucher (ao lado), decidi ontem, dia 15 de outubro de 2012, agendar o consumo – respeitando, claro, os prazos previstos naquele documento – e  então me deparei com a impossibilidade de fazê-lo. O Alê, proprietário da Pizzaria Vinil, tentou explicar que por uma falha na comunicação – entre ele o Groupon – o anúncio saiu errado e, por conta disso, ele estava recusando todos os clientes daquela compra coletiva e os instruindo a pedir o devido ressarcimento do site.

Apesar de minha contumaz e facilidade disposição para questionar afrontas aos meus direitos como essa, tenho muito apreço pela Pizzaria e seu proprietário, por isso optei por, apenas, solicitar o reembolso do valor pago ao Groupon.

Antevendo qual seria a atitude do site, deixei claro no e-mail que não aceitaria a conversão do valor em créditos, pois não pretendo continuar a comprar pelo Groupon. A resposta padrão, repetida em dois e-mails, foi a seguinte: Conforme exposto em nosso site, os cancelamentos solicitados em um prazo superior a 15 dias terão o valor reembolsado por meio de créditos em sua compra Groupon. Já registramos sua solicitação de cancelamento, informamos que o mesmo se encontra em processo e os créditos poderão ser visualizados em até 5 dias. Um abraço, Ellen Pereira. Equipe Groupon.

Ou seja, cabia a mim, consumidora e maior lesada na história, correr agendar o serviço – que requeria apenas 24h de antecedência do dia do uso do voucher – dentro do prazo de 15 (quinze) dias fornecido pelo site se pretendia, em caso de problemas com a compra (que eu deveria prever), a devolução do dinheiro pago e não sua conversão em créditos.

Nem vou aqui discutir o absurdo dessa atitude do Groupon. Se até o Comitê de Compras Coletivas da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico o exclui de seus quadros, com certeza não poderia eu esperar outra coisa senão um total assinte aos meus direitos. Aliás, fosse eu juntar esse problema com o vivido poucos dias com uma compra para o Restaurante Guacamole – que teve a ousadia de afirmar que eu estava mentindo sobre o prazo de uso do voucher ou do modo de agendamento do consumo, mesmo com a apresentação do voucher nos exatos termos em que defendia meus direitos -, seria o caso de recorrer ao Judiciário. Mas na linha do ditado popular – casa de ferreiro, espeto de pau -, prefiro não movimentar a máquina pública por conta de meros  22 pilas.

Quem sou eu para iniciar um movimento contra as compras coletivas. Deixo aos órgãos de defesa do consumidor, ao Ministério Público e ao legislador que façam seus trabalhos. Apenas sugiro, aos que tem apreço por um determinado local e esperam que ele mantenha sua qualidade, que o valorizem sem subterfúgios como compras coletivas. 

Mas ao Groupon, que pouco está interessado com o meu problema, do Alê ou dos inúmeros outros consumidores e fornecedores prejudicados, reitero: Devolva o meu dinheiro, p****!

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6 thoughts on “Ei, @GrouponFloripa: devolva meu dinheiro

  1. Mi… também comprei essa promoção e fui surpreendida com a notícia no dia da marcação 😦
    e também por não querer prejudicar a pizzaria Vinil (na qual também tenho apreço) estou na luta para devolução do meu dinheiro. E… compras coletivas não mais, por favorrrrrrrrrrr
    Beijos

    • Pois é, Dani. Uma pena isso. Porque eu adoro a Vinil e sei que você também.
      De qualquer modo, nós é que não podemos ser prejudicadas. Não temos culpa pela falta de comunicação entre eles.
      E exato: nunca mais compras coletivas.
      Beijos

  2. Boa Tarde Dani e Michele!!!]
    Fico realmente chateado com todo esse ocorrido, era para ser nossa 6º promoção com o Groupon, cheguei a solicitar de varias maneiras, que esse quadro fosse revertido (quando as vendas estavam em 75 vouchers), como você mesmo citou, quem somos nós diante de um “monstro bilionário” chamado Groupon, uma pena mesmo que eles nos tratem como “parceiros” apenas no nome, e acho importantíssimo esse espaço para que as pessoas entendam o que realmente se passa nas negociações com esta empresa que só visa o lucro e não da a menor importância para seus “parceiros” ou clientes.
    Queria deixar registrado aqui que só tomei essa atitude pois toda a “bomba” sempre cai no colo dos pequenos.
    Gostaria muito de convida-las a degustar uma pizza e uma gelada discutindo sobre isso, diferente do Groupon, eu preso e muito pelo lado humano em todas as relações, sejam elas comerciais ou não, e acredito que se todas as empresas investissem em um treinamento visando ao vender seus produtos, algo além de dinheiro, TODA a sociedade desfrutaria disso.

    Obrigado pelo espaço!

    Alexandre Barros
    Vinil Pizzas & Clássicos – Floripa

    • Oi, Alexandre.
      Fico muito feliz em ver sua manifestação aqui no blog.
      Importante que as pessoas saibam que o Groupon desrespeita todos os envolvidos.
      Como já destaquei no texto, são os únicos que lucram com essa história e praticamente nenhum esforço fazem para isso.
      Espero que eles resolvam em breve tanto para os consumidores como para você essa questão. No mínimo devem uma explicação aos que compraram a oferta,
      E, com certeza, em breve voltarei a Vinil.
      Obrigada.

    • Senhor Alexandre: não conheço seu comercio nem quero conhecer, mais fico pensando se o senhor fez cinco promoções com Groupon e sinal que estava bom, agora na sesta não deu certo, assuma não deixe seu freguês na mão e vai brigar com quem errou, parece que o senhor se contradiz, ou seja, visa apenas o lucro.

  3. Eu já comprei muita compra coletiva, muita mesmo. Acho que tive sorte, porque vejo as pessoas se queixarem muito, mas as experiências ruins, felizmente, foram a minoria. Porém, já perdi promoção e teve um site – o Inove – que nem como créditos repôs.

    Recentemente, ainda aproveitei duas em Santo Antônio – no Deck do Santo e no Coisas de Maria João – que foram muito agradáveis.

    De qualquer forma, só comprei voucher de restaurante ou revelação de fotos, vejo muito de viagens, mas nunca me arrisquei em nenhuma. Muito menos naquelas de eletroeletrônicos, conheço gente que pagou para ver e está há um ano esperando o produto.

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