#Restaurante “O intuito é ser diferente” (@RimaDosSabores)

Essa foi a explicação que ouvi do chef Juliano, também proprietário do impressionante Restaurante Rima dos Sabores, em Belo Horizonte/MG. E por diferente entenda também exótico, se considerarmos os tipos de carnes e petiscos servidos no local, como javali, jacaré, rã, avestruz etc. Indicação dos amigos cervejeiros de BH (Humberto, Bento, Marco, Jaque e outros tantos), foi uma das melhores surpresas em termos de restaurante naquela cidade.

Por favor, não estou desmerecendo a Dona Lucinha, por exemplo, com seus anos e mais anos de culinária mineira de raiz. Ocorre que o Rima dos Sabores é realmente diferente, não apenas utilizando carnes consideradas exóticas, como também caprichando na apresentação de cada prato. Uma simples polenta frita se transforma em um projeto arquitetônico ou, se preferirem uma referência à infância, um jogo cai não cai.

Claro que não se limita ao visual. O sabor de cada prato é único, garantindo uma imitação a la Ana Maria Braga em cada mordida: passagem por baixo da mesa e um sonoro huuuuuuuuuum!

Os pastéis (de rã, jacaré, coelho e avestruz – 3 de cada), na foto ao lado, foram uma forma de experimentar 4 tipos de carnes diferentes e serviu para mostrar o que é possível encontrar nos demais pratos: tempero na medida certa, capricho na apresentação e um buchinho muito feliz.

A cachaça, bebida popular em Minas Gerais – não apenas pela variedade encontrada, como também pela qualidade (quem não gosta é porque ainda não encontrou a certa para seu paladar) – possui uma carta reservada só para si, com dezenas de opções. Eu tomei a Acuruy, envelhecida em tonéis de carvalho.

Mas a cachaça não se limita ao cardápio ou aos martelinhos. Está presente, igualmente, em alguns pratos, como o “Se comer avestruz… Não dirija!” (descrição na foto que encabeça o post): uma iguaria que nos leva até a lamber o prato (literalmente). Para mim, o molho daquela carne poderia ser colocado em qualquer pão simples e virar um super lanche em qualquer horário do dia. Sensacional com três estrelinhas!

O cardápio, aliás, pode ser parcialmente devorado com os olhos aqui e aqui (tente não babar no teclado, por favor).

Agora, se depois de todas essas características você esperava um lugar pomposo, cheio das frescuras, está muito enganado. Trata-se de um local simples, com certo ar de boteco, mas cheio dos mimos e dos detalhes diferenciados que o tornam ainda mais aconchegante.

O chef Juliano, por falar nisso, é a cara do lugar – ou o lugar é a cara dele, como preferirem -, transitando pelo salão e colhendo os elogios (reclamações devem ser muito escassas por lá) sempre com um afável sorriso em seu rosto de mineirinho tímido.Percebam, pela foto, que ele também pouco lembra os chefs tradicionais.

O costume em casa, de separar o lixo reciclável do orgânico, foi trazido para o Restaurante de maneira intensa, podendo ser observado até mesmo nos objetos de decoração que dão graça ao ambiente. São luminárias, cadeiras e mesas de materiais reutilizados, desde plástico até madeira. Essa, aliás, uma característica que encontrei em vários lugares de BH: produção sustentável.

E, o mais interessante, fotografias encontradas no lixo (quem joga fotografias fora?) foram emolduradas e embelezam as paredes do local. Houve já quem passou pelo local e reconheceu-se em uma delas, datada da década de 60/70, na qual encontram-se presentes, também, políticos como o Fernando Gabeira.

Para completar e harmonizar com o clima diferente/exótico, lá você encontra o fabuloso sorvete de bacon, que acompanha um joelho de porco caramelado. Resumi-me ao sorvete, porque já estava cheia de tantos outros pratos, mas posso garantir que era muito bom. E antes que você faça cara feia para essa iguaria, saiba que não se trata de um sorvete salgado à base de bacon. É um sorvete com base de creme em que os pedacinhos de bacon, bem fritinhos e parecendo castanhas na consistência, são misturados. O sabor do bacon é lembrado apenas ao final, quando se o mastiga, mas de forma suave e harmoniosa. Se você tem uma partezinha ogra, como eu tenho, com certeza irá adorar também. Todos os presentes na mesa (mais de 9 pessoas) aprovaram essa preciosidade.

Gostei muito, também, da cocada de peixe (iscas de peixe cobertas com lascas de coco) e das coxinhas de jacaré com queijo manteiga (Nhami!), além do fato de o local contar com uma carta também imensa de cervejas artesanais, sendo seu carro chefe a Falke Bier (que ganhará, em breve, um post todo especial).

E não vá pensar que degustar tantas coisas boas assim é caro, pois não é. Todo o cardápio, das comidas às bebidas, é super acessível e com preços muitos abaixo daqueles que seriam cobrados em lugares similares em Florianópolis (se eles existissem, claro!).

Se você mora em BH e ainda não teve a chance de conhecer o local, ou se irá passar por lá algum dia, não deixe de conhecer o Rima dos Sabores. Não há chance de você não se encantar pelo lugar, por qualquer um de seus atrativos.

Rima dos Sabores

ter à qua: de 17h30 às 23h30

qui à sab: de 17h30 às 00h00

nas segundas o restaurante é reservado para a Confraria Exótico Sabor

R. Esmeralda, 522 – Prado, Belo Horizonte

Telefone: (31) 3243-7120

PS: agradecimento especial ao Ronaldo, garçom que nos serviu com tanta presteza e gentileza.
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4 thoughts on “#Restaurante “O intuito é ser diferente” (@RimaDosSabores)

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