#Filme Todo mundo tem problemas sexuais

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Assisti ao filme nacional “Todo mundo tem problemas sexuais”, no Cine Paradigma, e, infelizmente, deixei-me levar pelo trailer, que passa a impressão de um filme que rende boas risadas. Quanta desilusão!
Não costumo ler as críticas dos filmes nacionais antes de assisti-los, pois tenho para mim que há uma leve tendência a desqualificar nossas obras pelo simples fato de serem tupiniquins. Mas, neste caso, teria sido a melhor escolha.
Nem mesmo a composição de um elenco de qualidade e “cômico”, com figuras como Pedro Cardoso e Claudia Abreu, foi possível me arrancar mais do que 2 ou três semirisos.
Confesso que o público do cinema, contudo, compartilhou “escandalosas” gargalhadas, o que me fez pensar se o faziam pelo absurdo das cenas ou porque, na verdade, eu era a “alien” ali.
Não nego que soltei uma, única e isolada, gargalhada ao final do filme, na cena em que Pedro Cardoso, com uma fantasia ridícula, faz papel de uma “piroca” (sim, o órgão sexual masculino) que não agüenta mais ser alvo de “chupadas” femininas.
O filme, adaptado da peça de teatro homônima, é divido em cinco “atos” (histórias) e intercala, de tempos em tempos, imagens da peça apresentada nos mais variados lugares. No inicio do filme, aliás, o Diretor Domingos de Oliveira alerta que o intuito do filme é não se afastar da peça, por isso as inserções, com trechos do filme sendo retirados das apresentações teatrais – já que a falas parecem não ter sido modificadas uma única linha. Considerei enfadonho e desnecessário, principalmente se considerarmos que o som dos trechos gravados no teatro – quando ainda nem se pensava em transformar a peça em filme -, assim como as imagens (que parecem ter saído de câmeras amadoras), são de péssima qualidade.
Ao contrário de algumas comédias nacionais (e muitas americanas, diga-se de passagem), que se utilizam de clichês e estereótipos como “grande” descoberta do “humor fácil”, “Todo mundo tem problemas sexuais” preferiu levar isso a um outro nível: são clichês e estereótipos elevados à décima potência! Pode-se até se dizer, sem exageros, que o filme é um imenso clichê e estereótipo.
Se eu pudesse escolher a cena mais “escrota” do filme, por certo seria a que uma mulher casada, alvo de estupro pelo chefe na frente de seu marido, aprecia a violência e acaba, junto com esse, “descobrindo o prazer” do swing.
Desculpem a infinidade de spoilers, mas creio que, em não estando eu a indicar o filme, contar algumas de suas cenas não fará diferença.

Como diria o Chaves: dá zero pra ele!

Mas, se na linha dos demais presentes no cinema, alguém tiver gostado do filme ou quiser arriscar vê-lo, estou aberta a discussões e, quem sabe, rever meu posicionamento. Vai que fui a única a não entender o “grande humor” por trás de tantos clichês e estereótipos? Ou vai que o filme quer, exatamente, rir disso, como forma de crítica?
Infelizmente creio que não!

“Todo mundo tem problemas sexuais”
Comédia (?) – 80 min – 2011
Direção e Roteiro de Domingos de Oliveira
Classificação: 16 anos

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2 thoughts on “#Filme Todo mundo tem problemas sexuais

  1. Michele,

    Tanto no cinema nacional quanto no estrangeiro é preciso muito talento, muita “mão”, para se fazer adaptações de livros, peças, séries de tv e até histórias em quadrinhos. São poucos os diretores que conseguem.

    Mas quanto ao “Todo Mundo Tem Problemas Sexuais”, apesar de não ter assistido ao filme, achei interessante o recurso de adicionar filmagens da peça original. Uma pena que isso não tenha sido bem explorado e o filme não tenha um resultado bom, principalmente pela qualidade das imagens. Se eu assistir, volto a comentar.

    Muito legal sua crítica 🙂

    • Pois é, André! Também sói fã desses recursos, mas no filme não ficou nada bom! Lembro do quanto amei Dogville a idéia de o filme utilizar recursos do teatro, como paredes que não existem no cenário, mas são vistas pelos personagens.
      Infelizmente o filme não sabe a que veio! Talvez tivesse sido melhor eles apenas gravarem a peça em DVD e vender como o era: uma peça!
      E provável que eu seja a “alien” mesmo, pois a peça fez muito sucesso! Hahahaha
      Assistindo, conte-me mesmo o que achou!
      Beijos

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