#Restaurante Dona Lucinha

Não foi fácil chegar no Restaurante Dona Lucinha. Mas não pense que isso se deve ao local em que as três unidades de Belo Horizonte/MG estão situadas (São Pedro e Funcionários), mas sim pela total ausência de direção minha e do namorado, que não dispúnhamos de um GPS em uma capital do porte de BH. Ignorados os percalços, fizemos uma ótima escolha ao enfrentar as dificuldades pessoais e insistir na visita, já numa segunda tentativa.

O lado de fora do restaurante já aponta o que nos espera lá dentro. Reduto da comida tipicamente mineira, o restaurante, no estilo self-service (ao menos a unidade por nós escolhida), divide suas inúmeras panelas em dois espaços que, de igual modo, são um convite ao retorno à cultura alimentar da fazenda e dos tropeiros.

Responsável por ser uma das maiores responsáveis pela difusão da culinária mineira no Brasil, Dona Lucinha – Maria Lúcia Clementino Nunes (1932) – foi professora antes de se aventurar nas panelas profissionalmente. Oriunda de uma família de quituteiras, aproveitou a aposentadoria para se dedicar àquilo que sempre pareceu ser sua vocação. Mãe de onze filhos e percorredora de várias profissões (até mesmo vereadora), não quis aceitar o destino geralmente reservado aos aposentados.

Não satisfeita em cozinhar e hoje contar com 4 unidades do Restaurante que carrega seu nome, Dona Lucinha partiu para sonhos muitos maiores e, com toda certeza, muito mais louváveis do que o já grande trabalho de difundir uma culinária tão rica como é a mineira. Aliando o inaceitável desperdício de alimentos à vontade de auxiliar os menos providos de recursos, criou o Instituto Dona Lucinha, há cerca de 20 anos, com os seguintes objetivos:

As atividades do Projeto existem há 20 anos. Dona Lucinha, a idealizadora do Projeto e seus filhos distribuem a sopa, feita com o que não é consumido do buffet pelos clientes dos dois restaurantes de propriedade da família. A distribuição era feita de forma aleatória, para os moradores do Aglomerado Morro do Papagaio e Santa Lúcia, especificamente nas imediações da Vila do Carrapato, hoje Vila São Bento com o apoio da Polícia militar, que cedia o carro e seus militares para buscar e entregar a sopa.

No dia 13 de julho de 2006, foi inaugurada uma cozinha industrial dentro das dependências do 22º Batalhão da Polícia Militar no Barro Santa Lúcia. Nesta cozinhas são produzidas média 1500 (mil e quinhentas) porções de sopa por dia a serem distribuídas dentro do Aglomerado Morro do Papagaio e Santa Lúcia, na Favela Pedreira Prado Lopes e Vila São José por meio de um veículo da Polícia Militar conduzido por militares devidamente fardados e conhecidos dentro das comunidades citadas.
A cozinha se chama “Maria de Nazaré” e a sopa, “Sopa da Tarde”. A distribuição é feita de segunda a sexta às 16 horas nas associações conveniadas ao projeto, ou seja, pontos definidos junto com a comunidade.
O maior objetivo do IDL é ampliar o acesso de uma parcela das famílias residentes do Aglomerado Morro do Papagaio e Santa Lúcia, Favela Pedreira Prado Lopes e Vila São José, à alimentação de qualidade, diminuindo a fome, assim como possibilitando conhecimentos e informações, disponibilizando um ferramental teórico e prático para condições básicas de higiene.

Confesso que não conhecia o Instituto quando visitei o Restaurante e fiquei ainda mais feliz ao saber que escolhi um lugar não apenas com uma comida maravilhosa como também preocupado com questões sociais.

Falando, então, da comida, pelo meu prato pedreiro ao lado é possível verificar que não me acanhei na hora de me servir e que tudo tem a maior cara de comida da vó. Talvez para mim isso tenha uma conotação mais forte, já que tenho, parcialmente, ascendência portuguesa, o que foi me levou a rememorar, principalmente, os doces feitos pela minha avó. Diante de tantas gostosuras, não pude poupar o exagero no prato principal e na sobremesa, servindo-me de 5 preciosidades distintas.

Antes que você possa achar caro os 47 pilas por cabeça, saiba que o buffetizão é LIVRE (cardápio aqui), com pratos como vaca atolada, feijão tropeiro, frago com quiabo e o irresistível torresmo mineiro (bem diferente daquele popular aqui no Sul), estando incluídas no preço as inúmeras sobremessas  (11 no total). E, para arrematar toda a comilança, você ainda pode degustar um café passado em filtro de pano (não experimentei, porque não sou muito fã do café, mas o namorado disse ser muito bom, sendo perceptível a diferença com filtros de papel).

E para você não sair de lá já com saudades, pode adquirir alguns dos produtos que levam o nome Dona Lucinha, como: avental, cachaça, cigarros de palha, licores, linguícas, chapas de ferro, livro etc.

Um lugar, com toda certeza, para se voltar no tempo e lembrar da comidinha caseira da avó.

Você pode escolher uma das três unidades de Belo Horizonte ou uma em São Paulo. Mas não perca a oportunidade de conhecer o local se tiver essa oportunidade. Eu escolhi esta:

Restaurante Dona Lucinha

Rua Sergipe, 811 – Funcionários

Belo Horizonte/MG

Fone: (31) 3261-5930

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One thought on “#Restaurante Dona Lucinha

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